MINHA CRÔNIQUETA

 

Parabéns, minha filha!

 

Fazia uma manhã quente no Rio de Janeiro, naquela Estação da Carioca, roteiro do Bondinho de Santa Teresa. Eu me encontrava na mesa de um bar, tomando meu desjejum matinal, quando entrou com uma certa balbúrdia um casal de cor negra. A mulher vinha segurando pela mão, uma menina com mais ou menos 7 anos de idade.

 

           O casal se acomodou numa mesa próxima àquela que eu me encontrava. Após deixar ali a mulher com a criança, o homem se dirigiu ao balcão e pediu um pedaço de bolo com pouca cobertura, que media mais ou menos 15cm por 10cm no máximo. Ao se aproximar da mesa em que estava a mulher com a criança, o homem retirou do bolso da camisa surrada uma vela que formava o número “7”, e enfiou desajeitado, naquele pedaço de bolo.

 

            Cantaram com veemência o tradicional “PARABÉNS PRA VOCÊ!”. Num relance, o homem, que seria pelas características o pai daquela menina, cruzou o seu olhar com o meu, com certa timidez e um pouco acanhado.

 

            Fiquei neste momento numa situação desconfortável e um pouco enlevado ao ver tamanha meiguice.

 

            A criança, naquele intervalo de tempo, já se encontrava eufórica com aquela manifestação de carinho dos seus progenitores! Depois que o trio saboreou o pequeno pedaço de bolo, sem esquecer de dá o primeiro pedaço para a filha, beberam no gargalo da garrafinha de 300ml da coca cola, o líquido mágico para aquele momento. Se levantaram e seguiram para alguma comunidade das muitas que existem em Santa Teresa.

 

Rio de Janeiro, 22 de abril de 1976

 

 

FRANCISCO de ASSIS SILVA