Cai desmaiada tarde nos braços do ocaso,
a noite será bem vinda, ainda que escura.
Tendo as estrelas nascido do breu,
imagem, sonho pontilhando o apogeu,
as nubentes valsam num brilho novo.

Lua crescente crescendo o céu de profecia,
um êxtase, uma estesia, haveria de ser assim e será.
Cintila o olhar de tanto desejar o momento,
irrompe, sopra o castelo de areia, permeia o sentimento.
Anda, corre que agora já é hora,
navega, embarca na arca hoje e sempre,
almeja que a calma seja porto do conforto d'alma.

Por tantas vezes de não saber ao certo,
espera, delonga, mas não é mera sorte
romper, vencer o crasso costume.
E a todos basta saber que lume o amor
incólume nas floreiras das janelas.
Regadas por elas, flores doces,
ambaradas, despertarão dia-a-dia.

Eterna

Mora a vontade de pousar, repousar ao lado,
alado vai o que nem mesmo precisa voar,
rasante no fundo do oco, pouco medo, pouco.
Tanta altura que se augura estar,
hesitar, medir latitudes bem é divagar.
Aparta os pés do chão e o coração elevará!

Entre cachos de ipês, luz amarela quer entrar,
variar velhas cores, entintar os cabelos.
Enaltece a face uma brisa de contento,
lento vento corre a orla do pensamento.
Y ha de correr sin parar, sin parar.

Tomara aquilo tudo perfumar,
houvera aquilo tudo acontecer
e se o percalço aparecer,
ouça apenas o necessário.
Faz brando o fogo imaginário,
imaginando nele proteger-se do frio.
Leva leve o pão e a palavra,
ouro de entendimento que o tempo lavra.

São Paulo

Felix Ventura
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