Faces da Rosa

Guardam as faces rubras, faces da rosa

Num buquê, recanto da alma,

Neste entardecer, onde a noite já afaga

Coração que era sol, enquanto sonhava.

 

Era sol ressecando a terra (e pensava águas).

Delírios vãos, pobre pássaro sem asas,

Revolvia chão, a sorver migalhas

E, farto de solidão, retomava falha

 

Falha de crer-se águia a desejar penhascos

Subindo, então, pelas encostas

E  ao contemplar alturas, ir abrindo braços

Esquálidos, na ilusão de poder pairar no espaço.

 

Por isso, depois da queda...aos pedaços

Acorda e descobre-se...(ainda sem corpo para as alturas)

Mas, da matéria eterna vem a infinita ternura

afagar as faces rubras...devolvendo as rosas...

 

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Ananda
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