Sentença Final

Sentença Final

 

 

 

Flores, flores que não tive,

 Mas que reconheci os espinhos

 Tocados na epiderme vulnerável.

 E desarmado, ainda há que se ter perdão.

 A cruz do mundo, os crucificados,

 Benditos sejam, pois que malditos não são.

 Mas o homem não se sacia na alma.

 A alma perturba a vida humana.

 Que fazer? Sei lá!

 Quanto mais se busca,

 Parece que menos se tem.

 A consciência não traz paz,

 Apenas torna o aflito juiz de si.

 E julgar aumenta a razão,

 Mas mata aos poucos o coração.

 Bendita seja a morte,

 Mas temível é a eternidade.

 Eternos? Para quê?

 Qual o sentido disto tudo?

 E então vejo um sorriso distante,

 Linhas que denunciam descaso.

 Descaso de quem quer,

 Mas não sabe como conseguir.

 Farto de si, farto de todos.

 Não é um estado de ódio,

 O ódio é jovial, o descaso é senil.

 Amar seria bom,

 Mas a distância é grande demais.

 Entre o engodo do discurso fácil

 E da ação real,

 Um abismo sem fim.