SIMPLES METADE

Quanta dor é capaz de suportar um coração?
Quanta angústia e falta, quanto sofrimento?
Como é possível um amor de eterna duração
Decidir se afastar e causar tanto tormento?
 
Eu tento correr, esquecer, de algum modo escapar
Mas o inferno é interno, está contido no pensar.  
A meu ser foi imposta uma ausência tão intensa
Que a cada segundo mais arde, cresce e se adensa.
 
Quanta dor é capaz de suportar uma alma ferida
Que se ergueu, se enfeitou, criou asas e voou
Só pra ver sua rota em pleno ar ser tolhida?
 
Como trigo ceifado em sua mais tenra idade
Meu amor antes vivo, inteiro, em total felicidade
Hoje nada mais é... do que uma simples metade.
 
 

HC
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