Deusa una do amor

Deusa una do amor

MUSA, MUSA, MUSA!
 
DEUSA UNA DO AMOR,
POR QUE TANTO SE DIVIDE
QUANDO VESTE-SE MULHER?
 
SE HÁ TRAÇOS QUE FASCINAM,
COMO AS MANCHAS DE MONET,
NÃO FAREJO A SUTILEZA
QUE SONHEI COMPARTILHAR.
 
INQUIETO, EU RODOPIO
E, HONRADO, SIGO SÓ.
 
SE A PELE ME INFLAMA                       
COMO A VOZ DE MONTSERRAT,
VIVO MAIS A SUA AUSÊNCIA
DO QUE JULGO MERECER.
 
PARTILHADA, EU LACRIMEJO
E, POSSESSO, DOU A VEZ.
 
MUSA, MUSA, MUSA!
 
DEUSA UNA DO AMOR,
POR QUE FINGE SER POSSÍVEL
REUNI-LA NUMA SÓ?
 
SE EXCEDE DE BONDADE
SOB O LUME DO DALAI,
PEREGRINA NOITE E DIA,
FULMINANDO SEU FRESCOR.
 
COM O RISO AMORDAÇADO,
VOU, AFLITO, RESPIRAR.
 
SE TRABALHA POSSUÍDA
PELA FIBRA DE HEITOR,
SUBESTIMA, IMPRUDENTE,
A PAIXÃO QUE SE ESVAI.
 
SEM SEU PEITO COMOVIDO,
EU, GELADO, MORRO MAIS.
 
MUSA, MUSA, MUSA!
 
DEUSA UNA DO AMOR,
POR QUE VIM A ESTE MUNDO
DESTINADO A LHE BUSCAR?
 
 
Francisco Abel Mendes d'Almeida, em 2009.

 

Cantou pra mim...

"Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte; linguagem. Traduzir uma parte na outra parte, que é uma questão de vida ou morte, será arte?"(Ferreira Gullar)

Na foto, Edye, The Best, sendo reverenciado.