MEU MAR

MEU MAR

Mar imenso,
Oceanos sem fim!...
a ti pertenço
tu fazes parte de mim

Em ti continuo amarrado
nestas ondas de esperança,
e num murmurio bem salgado,
amargurado, mas cheio de preserverança

Es o meu Leste, o meu guia,
tuas ondas são canções,
ternamente à luz do luar as ouvias
cheias de ritmo e emoções

Junto de ti anos vivi,
muitas tormentas passei,
a todas elas eu sobrevivi
e Graças a Deus sempre dei

Mar da China
de aguas barrentas, amareladas,
fizeram parte de minha sina
jamais serão olvidadas

Cadaveres em tuas aguas recolhi,
muitos naufragos salvei,
apertos no coração muitos senti,
milhares de refugiados auxilei

Imensas e fortes tempestades passei
na minha velha embarcação,
fortes pressões suportei
essas, as guardo no coração

Pelo rio das Perolas naveguei
muito tendo aprendido,
perolas essas!... não encontrei,
sendo por ti estimado e bem querido

Pelos cinco oceanos andei,
muitos mares eu percorri,
porem, no Mar da China me fixei
por tanto gostar de ti

Mar imenso, mar profundo !...
fostes meu berço de embalar,
por vezes abalroei, não fui ao fundo
e em ti continuei a navegar

Agora, no Mar da Poesia entrei,
vasto, enorme e desconhecido
no qual me aventurei
e em suas aguas estou perdido

Sulcando as palavras vou,
neste mar de papelada,
lutando com elas estou
escrevendo sem dizer nada

Piloto e poeta o não serei,
mas, rumos esses vou traçando,
porto seguro talvez alcançarei,
e neste batel da vida, pela musa aguardando

Gloria e fama em mim não cabem,
ignorante na poesia navegando irei,
tentando aprender com os que sabem
e corrigindo tudo aquilo que errei

Regressarei ao mundo das mares vivas
neste meu fraco navegar,
sobre estas ondas altivas
sem medo de naufragar.

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MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa

BANGKOK