Site de Poesias

Menu

DE TUDO EXISTE

 
Plantei um pé de alecrim
Na porta do barracão
Pra espantar olho ruim
Praga ou maldição
 
Dizem que a arruda
É muito boa também
Que juntando ao tipi
A felicidade vem
 
São coisas que os mais velhos
Há muito tempo usavam
A inveja e bruxaria
Pra longe eles mandavam
 
Eu acredito que há
Malfazejos para tudo
Isto é regra sabida
Por isso não me descuido
 
Outro dia em minha casa
 Sabem o que aconteceu?
O vizinho foi chegando
O meu cachorro o mordeu
 
Ele então falou assim:
Você me paga por isto!
Até amanhã à noite
A sua morte eu assisto
 
Pegou uma folha de pinhão
E para o mesmo mostrou
Antes que esta folha seque
A morte já lhe levou.
 
Ele saiu enfezado
Com raiva até de mim
Pois o cachorro gemeu
Até chegar o seu fim.
 
Fiquei muito espantado
Com os gritos do meu cão
Seus olhos pularam fora
 E caíram os dois no chão.
 
Depois foi caindo os dentes
A língua dele cresceu
E não cabendo na boca
Ali mesmo ele morreu.
 
Perdi meu cão amigo
Que era meu guardião
Tomei medo do vizinho
Cruel e sem compaixão.
 
Não quero graça com ele
Pois tem o diabo no couro
Jogar uma praga desta
Foi praticar um agouro.
 
Eu quero alívio e sossego
D’um cabra, deste padrão
Malfeitor e feiticeiro
Sem alma e sem coração
 
Para matar um vivente
Seja ele quem for
Abasta uma palavra
E o cara já emborcou!
 
Vou lhe esperar na estrada
Com três galhos de pinhão
Bater em todo seu corpo
Deixá-lo morto no chão
 
Ele vai ver quem eu sou
Vai comer em minha mão
Só escapará com vida
Se vier pedir perdão
 
Mas tem que ser de joelho
E também com as mãos postas
E com os olhos fechados
Ouvir a minha resposta
 
Quando ele se acordar
Deixa de ser feiticeiro
Esquece até o seu nome
E sai correndo ligeiro
 
O livro do Cipriano
Ensina toda mandinga
Comprei um e vou fazer
Botar chifre em sua pinga
 
Dou-lhe um barrufo primeiro
Para o seu corpo abrir
Bato-lhe com pinhão roxo
E lhe esfrego tipi
 
Ele vai ficar parado
Sem força nem pra andar
Vai pagar pelo meu cão
O preço que vou cobrar
 
Nunca mais em sua vida
Ele quer ser valentão
E se não morrer aleija
Engatinhando ao chão
 
Tem que saber respeitar
Sou homem não sou brinquedo
Não faço mal a ninguém
Mas meu direito, não cedo!

Compartilhar
MARIA AGLAIDE NEVES
09/07/2013