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Jardins do Coração

[Ilustração não carregada]

 
Flor única que nasceu em meio
a tantas outras, numa florada primaveril.
Delicado botão 
que trouxe a promessa 
de ser tenro fruto, 
mas alguns espinhos também.
Talvez sejam estes acúleos 
que machucam o convulsivo coração, 
criando taquicardias,
despertando a inquietação 
das emoções que desafiam
a pacífica lógica da razão.
Antepondo a realidade 
dos sentimentos às idealizações 
dos paraísos do mundo mental.
São etéreas nuvens que circundam 
o cume, contrapondo-se 
à densa neblina do fundo abismo.
Toda a imensidão do horizonte
e o lugar comum onde
fronteiras encontram-se em disputa.
Toda a distância existente no universo
e a opressão dos instintos 
que acumulam para o ego.
Muito será o tempo necessário
para adquirir-se a sensatez do outono, 
a maturidade feliz.
Dias vêm, dias vão 
e os calendários vão ficando inúteis, 
legados ao passado da história.
Um minúsculo instante 
e tudo que se julgava efetivado 
pode ser transformado, pode mudar.
É como se quem visse a bela lua
passasse a questionar-se 
quanto ao números de luas do universo,
e num encontro ocasional unissem-se 
a poesia e a filosofia, 
lapidando com beleza o pensamento.
De onde ? Para onde? 
Tempo, tempo...tempo. 
De quanta angústia pode 
se fingir a escassa euforia..

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Se desejar ouvir o áudio: http://recantodasletras.u...


20/01/2010