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RÉSTIAS DA TARDE

 

o que é feito de inspirações
lavadas lástimas de um poetar
em tardes cinzas esmaecidas...

flores murchas em vasos secos
poeiras nos vãos das prateleiras
sol refletindo fraco no verniz

nem mesmo uma desilusão
para se cantar um amor
impossível enlouquecido...

tudo apascentado morno
rotineiro sonolento
nem crime que escandalize

nenhum deslize que envergonhe
vidas comportadas previsíveis
diferenças entre dias só no calendário

se tanta paz desejada for assim
a desejam quem quer morrer antes da hora
no silêncio dos sussurros em melífluas rezas

viver emoções só nos cinemas em vídeos
de outras vidas e estórias inverídicas
mas que quebram a monotonia do deserto

ressequido este solo onde me planto
feito cacto isolado em tempo árido
meus espinhos, defesas e solidão...


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...momentos que a descrição ambiente revela a alma, o interior em suas cogitações íntimas, a tarde, o pôr do sol, réstias fracas nas amenidades de uma vida...

EDILOY A C FERRARO
10/04/2009