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"Entrastes e Esquecestes de Sair"

Ontem te sentia tão perto de mim
Passávamos horas dividindo sonhos
Plantando flores e vendo nosso jardim
E brigávamos pelas margaridas
 
Ontem te sentia tão dentro de mim
Nos meus pensamentos, em nossa casa
Na minha vida e perspectiva
E mesmo dormindo, te sentia
 
Ontem te sentia tão vivo em mim
No meu corpo, e sentia teu cheiro
Como se seu cheiro, fosse meu cheiro, doce...
De uma fragrância, que só você
 
Mas hoje, sinto-te saindo de mim
Devagar, sem pressa, sem você
Como a lua deixa seus apaixonados
E como o sol ao entardecer no inverno
 
Hoje te sinto saindo de mim
Como o beija-flor deixa a flor
Do nosso jardim, sem margaridas
Onde as ervas sem vida fazem moradas
 
Hoje te sinto saindo de mim
A fragrância, hoje, anêmica
Que procuro recordar e esqueço
Porém, dispenso
 
Hoje te sinto sair de mim
As músicas que levam o pensamento
Ao passado, que fomos, que vivemos
E das vidas que morremos
 
Mas de tanto que saíste de mim
Trago em reservas a vinícola repleta
O pomar esta frutificando e o Ipê floriu
Apenas uma flor e você não estava aqui
 
Por que entraste tanto em mim?
Por que saíste tanto de mim?
Por que o sal ainda molha meu rosto?
Ainda existe tanto de ti em mim...

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Heider Moutin//
23/05/2008