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Thick as a brick

Thick as a brick
(remakeado em primeiro de janeiro de 2008 – já prevendo o desato que virá...)

E finalmente, me preguntas
as coisas que ando fazendo (e tu,
louca lunática mulher loura fascinante,
e tu – que só trepas & deblateras?!!!...)
E te respondo na lata,
e me solto prerrasgado, e finjo
fugir das feras engravatadas
da televisão.

E então, ohlho no ohlho, me preguntas,
¿“devo comer uma maçã, ou umamão?”
E ato contínuo me antropofagas
e começas pelas fofas almofadas
dos dedinhos da mão de trabalho,
tu com esse teu ar pseudocasto,
com teu vestidinho azul plissado
cheio de botões e de miçangas...

Eu, eu executo mais uma vez
o meu destemido ato falho
de não me comprometer – não
declarar a minha paixão.
E me listas então, como sempre,
tudo o que não serei, puta loura,
louraça, e ¿porque me decrepito assim,
preguntas, de maneira tão veloz, meu filho,
tão arrasadora?...

Ah, minha lady, minha senhora,
que falta de tato a minha, que falta de visão!
É que aqui, nesse mundinho meu,
inexistem coisas diáfanas, o dar e pedir perdão,
desapareceram coisas até mais importantes, como
o comer e o beber – e se o ar já me falta,
só o essencial sobrenada:
a minha paixão e um cravo na lapela...

Vê que inda ontem eu abria a voz e a goela,
e não era pra esbravejar contra o meu destino...
(Ah, meu tempo de brincar com as mulheres,
que época, aquella... Inda lembro,
anteontem demanhãzinha tomando café
preto pão francês ovos fritos com pouco sal:

“Três mocinhas elegantes, três mocinhas elegantes,
cobra, jacaré, elefante” e “a bunda da velha,
amarelinha” – como eu cantava elas todas,
e como nelas todas eu pressentia já então
a tua farta cabeleira...)

Poisé, loura quasi-ex-minha,
quero te declarar de peito aberto –
Vou de vento em popa, eu e meu castelo,
pr’enfrentar a tempestade.
Pensando na morte & na mortadela,
doido pra cometer algum desatino, algo
muito easy rider, algo famigerado,
desatento dos celacantos e das sereias,
eu & meu mundinho...

Pronto, cara mia, pra procela
e pro irreparável

Só que ultimamente virei dromedário, ou
nelore branco e pávido, ou uma alimária,
bovino nédio, descascado e concreto -
um cara de cabeça dura como um tijolo
(talvez não tão opaco, se me permites),
ouvindo ainda os guitar heroes
d’outrora, veja só!

Mas sempre e ainda seco & ávido
por te comer, querida,
todos os dias!, todas as horas!,
nem que seja na minha farta imaginação...

É que preciso muito de ti, querida,
Nem que seja pra dar um motivo cabal
do praquê essa merda de vida,
do porquê esse imenso saco,
meu anjo, minha vida,
nem que seja....

...pra rezar contigo
um amen final

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Fernando Naxcimento
03/01/2008

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