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Do Amor - Encarnação

I PARTE

SONETO: A CORPORIFICAÇÃO – ATO OBJETIVO


Ter o teu coração como a raiz ao solo,
O minério aos recônditos ígneos da terra:
Berço do magma vulcânico, leito aquático
- De onde o “negro sêmen” também é extraído (...)!

Perscrutá-lo assim como um inseto (humano?)
À cata de si dentro de um mundo hermético:
Eu, um nômade moderno - e o seu microcosmo,
Que uma tumba jamais será, mas um altar (...)!

Esconder-me, imortal, em teu plasma sanguíneo,
Como uma minúscula, essencial, plaqueta,
Talvez um glóbulo dentre milhões de outros

Que, homogêneos, um “ser-tão-múltiplo” formam
(Embora todo teu - como a mim!)... Ah! Um cúmplice
De quem és, em nome da vida bioquímica!

II PARTE

SONETO: A INCORPORAÇÃO – ATO SUBJETIVO


Ah! Ser-te oxigênio – e não menos que pulmões;
Sede ou fome – e não menos que saciedade;
Instinto – e não menos que clímax fisiológico;
Desejo – e mais que uma equação matemática!...

Ou tempo – tal qual a teia para o aracnídeo
Que, entre o “belo” e o “efêmero”, mínimo, auto-afirma-se
Em sua embrionária morbidez, tão tênue
Embora como qualquer “larva-lepidóptera”!...

Precisar-te, como da luz a fotossíntese,
Do sêmen ao óvulo - a gestatória síntese
De átomos, células, moléculas: massa

- O vértice agudo de seres geocêntricos
Que tem a imortalidade como um poslúdio (...),
E o “amor-mútuo” como a essência – do Verbo ao Número!

(extraído do livro "Quase Sagrado" - inédito)

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Mariano da Rosa
06/08/2006