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Diagnose Lírica Nº1

Não quero que o teu amor
seja um direito adquirido,
e muito menos um dever
pela razão imposto (...),
nem que seja o resultado lógico
de uma equação química,
ou a conjugação perfeita
de um verbo do futuro (...);

pois se for um direito,
está condenado
à morte;
e se for um dever,
a (cons)ciência
é o seu destino;
pois se for lógico
será um produto previsível;
e se for perfeito,
jamais estará no presente!

Então,
que faça arder o coração
de tão intenso,
como um fogo que queime,
assim,
sem destruí-lo (...):
que faça o choro,
quando a dor for
evidente;
que,
diante da incrível alegria,
faça o riso (...);
que torne
a insuportável dor
resistível,
e o riso,
certo,
e espontâneo,
mais do que provável(mente);
e o (im)possível
sofrimento
em fato
superável!...

Que faça o esquecível
o ontem, e o amanhã
acontecer
hoje,
“inesperante” (...)
e o esperado
tornar-se uma anônima
surpresa;
e o absurdo,
óbvio
- e (im)provável
(e vice-versa!);
e o óbito,
vida
- vivo (...), vivente
(e etcetera!)...

Que mais do que transformar
um sonho
em realidade, a ilusão
sepulte
no Cemitério do Tempo (...),
e faça a realidade
tornar-se
um eterno
sonho
- do verdadeiro amor
começo (...),
fim (...),
desafio!

(extraído do livro "O Todo Essencial" - Universitária Editora / Lisboa - Portugal)

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Mariano da Rosa
06/08/2006